Black Friday, Natal, passagem de ano, saldos… Para a loja, não são quatro datas. É um único pico, longo e sem pausa, e é precisamente aí que o absentismo no retalho se torna mais caro.
Imagine um sábado antes do Natal: a loja cheia e duas pessoas que não apareceram. O cliente nota? Depende do planeamento de horários feito muito antes da primeira falta.
Da Black Friday aos saldos: o absentismo na época festiva
Quando se fala de absentismo, pensa-se muitas vezes no regresso das férias. Na loja, o momento crítico é outro: acontece durante a época mais exigente, e não depois dela.
Entre a Black Friday e os saldos de janeiro, a loja vive semanas seguidas de procura elevada, com turnos mais longos, fins de semana ocupados e poucas folgas. Já em 2019, a Adecco apontava o retalho como o setor com mais pedidos de candidatos até à época de saldos de janeiro.
Absentismo no retalho em números
No Reino Unido, por exemplo, 70% dos gestores de retalho consideram as ausências imprevistas um problema nos períodos de maior movimento, e 58% dizem que o aumento de ausências prejudica os lucros. São perceções de quem gere lojas e equipas, e é precisamente por isso que importam: quem planeia a época festiva decide com base no que já viveu.
O impacto das faltas na experiência de compra
Num escritório, uma ausência pode significar uma resposta que fica para amanhã. Numa loja em pleno dezembro, é uma fila maior, um turno com menos uma pessoa e um cliente mal atendido, ao vivo, sem hipótese de recuperar depois.
O custo não se mede em produtividade perdida. Mede-se em experiência de compra perdida, no momento em que mais gente está a decidir onde vai voltar a comprar.
3 causas de absentismo escondidas nos horários de trabalho
Trabalhadores sazonais
Num inquérito a gestores de retalho nos EUA, cerca de 58% notaram mais problemas de assiduidade nos trabalhadores sazonais. E reforçar equipas nem é fácil: em Portugal, as empresas têm tido dificuldade em contratar para o Natal e recorrem a incentivos como prémios ou integração permanente.
Descanso entre turnos
Um estudo finlandês com trabalhadores de lojas concluiu que intervalos curtos entre turnos (menos de 11 horas) estão fortemente associados a mais faltas por doença de curta duração, com um risco 4 vezes superior quando representam mais de 25% dos turnos. É um dado de escalas, não de vontade das pessoas.
Semanas sem folga
No mesmo estudo, trabalhar mais de 40 horas por semana está associado a mais faltas de curta duração, sobretudo em trabalhadores a tempo parcial, onde as probabilidades foram mais do dobro. Num pico, pedir mais horas a cada pessoa é a solução mais rápida, mas pode sair cara.
Nenhum destes fatores é imprevisível. Repetem-se todos os anos.
Descanso entre turnos em Portugal: o que diz a lei
Em Portugal, a regra geral é que o trabalhador tem direito a, pelo menos, 11 horas seguidas de descanso entre dois períodos diários de trabalho consecutivos, como prevê o artigo 214.º do Código do Trabalho. A lei admite exceções, que dependem da atividade e, em alguns casos, de instrumentos de regulamentação coletiva.
É o mesmo limiar de 11 horas usado no estudo finlandês, o que reforça a importância de rever o descanso entre turnos nos horários do pico de atividade.
Como reduzir o absentismo no Natal: 5 medidas para RH e gestores de loja
- Rever os intervalos entre turnos nas semanas de maior procura.
- Distribuir folgas e fins de semana antes do pico começar, e não à medida que surgem faltas.
- Integrar bem a equipa sazonal, com formação curta e um colega de referência por turno.
- Ter uma bolsa de cobertura identificada antes da Black Friday.
- Registar as ausências do pico e comparar ano a ano. Sem dados próprios, o próximo planeamento volta a partir do zero.
Como a tecnologia ajuda a antecipar faltas no pico
Muitas destas medidas dependem de informação que costuma estar espalhada por folhas de cálculo, avisos de última hora e memória de quem já cá está há mais tempo. Um software de gestão de horários permite simular a cobertura de cada turno, respeitar os descansos legais e comparar as ausências de um ano para o outro, antes de a época festiva começar.
O absentismo na época festiva não é uma surpresa de dezembro. É um padrão que se vê com antecedência a quem decide olhar para ele em outubro. E na sua operação, onde está hoje o ponto mais esticado da escala?
Na Tlantic acompanhamos de perto os desafios de planeamento de equipas no retalho. Quer ver como outras insígnias planeiam o pico com antecedência? Agende uma reunião com a nossa equipa.