Desde 10 de abril que entrar num supermercado em Portugal mudou. Não no que se compra, mas no que se traz de volta.
A Volta, o novo Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) de embalagens de bebidas, arrancou oficialmente e coloca o retalho alimentar no centro de uma das maiores transformações ambientais do país.
Em Portugal, são consumidas cerca de 2,1 mil milhões de embalagens de bebidas de uso único por ano. O objetivo é claro: recolher 90% dessas embalagens até 2029, alinhando o país com outros sistemas europeus já implementados.
Parece simples. Mas para quem opera uma loja, não é!
♻️ Como funciona o sistema
- O consumidor paga 0,10€ de depósito no momento da compra de qualquer bebida em embalagem abrangida (plástico, alumínio ou aço até 3 litros).
- Quando devolve a embalagem vazia e intacta num ponto de recolha, recupera esse valor.
- O reembolso pode ser feito em voucher, desconto em loja, crédito no cartão de fidelização, donativo ou solução digital.
A devolução acontece sobretudo através de máquinas automáticas (RVM – Reverse Vending Machines), com cerca de 2.500 unidades já instaladas em supermercados e hipermercados em todo o país.
⚠️ Atenção ao calendário: até 9 de agosto de 2026, o sistema está em período de transição, pelo que apenas as embalagens com o símbolo Volta estão sujeitas ao depósito. A partir de 10 de agosto, a obrigatoriedade é total.
🛒 O retalho no centro da operação
Mais do que um “ponto de devolução”, o retalho é o nó central de toda a logística inversa do sistema, e o principal agente de mudança de comportamento do consumidor.
As implicações atravessam várias áreas da operação de loja:
- Reorganização do layout em loja e fluxos de cliente
- Gestão de novos processos operacionais e logísticos
- Integração de sistemas de POS, faturação e reembolso
- Formação das equipas e apoio ao cliente
Para os retalhistas, isto significa integrar uma nova operação no dia a dia da loja, num contexto já marcado por elevada pressão operacional.
💻 Sistemas, equipas e experiência do cliente
A devolução de embalagens torna-se também um novo momento de interação em loja. Quando bem integrado, pode reforçar a relação com o cliente e o engagement com o programa de fidelização.
Ao mesmo tempo, exige integração tecnológica entre sistemas de venda, reembolso e gestão operacional, garantindo fluidez no processo e minimizando fricções.
A participação dos principais grupos de distribuição em Portugal reforça a escala e o impacto desta transformação no setor.
💡 O desafio está na execução
A Volta não é apenas uma medida ambiental. É uma transformação operacional que exige adaptação contínua de processos, tecnologia e equipas.
Levanta assim uma questão central para o retalho: como integrar novas exigências sem comprometer a eficiência da operação de loja?
E na sua loja, como está a correr a adaptação a este novo sistema? Que desafios está a sentir na operação? Partilhe connosco nos comentários 👇